quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Psicanálise- O que é e Como Funciona. Suas Indicações

Psicanálise- O que é e Como Funciona. Suas Indicações


Método psicoterapeutico Idealizado por Freud e desenvolvido por ele e demais psicanalistas posteriormente, onde se busca no inconsciente individual respostas para o comportamento atual.

O psicanalista preocupa-se com o que se conhece por conteúdos neuróticos do inconsciente e pelos traumas derivados destes conteúdos.

Estes conteúdos limitam a percepção e a forma como lidamos com nossa realidade, fazendo com que muitas vezes busquemos em mecanismos fantasiosos meios de lidar com situações angustiantes e estressantes. Todavia, estes mecanismos acabam se mostrando falhos e quando somados ao fator estresse diário, acabam se manifestando através de sintomas psicológicos como ansiedade generalizada, medos, fobias, depressão, esgotamento físico e mental (antiga neurastenia) e físicos como as dermatites, falta ou aumento do desejo sexual, problemas gástricos, dores de cabeça, enxaquecas, entre tantas outras.

Normalmente estes conteúdos são formados durante nossa criação como indivíduos, ou seja, durante nossa infância principalmente.

Quando pequenos não possuímos o discernimento do que é errado e certo, apenas desejamos, queremos algo e temos de obter este algo de forma imediata e sem ressalvas. Mas não é o que ocorre, certo?

Ainda, em determinadas situações nos deparamos com dificuldades, punições e limitações que cerceiam nossas ações e que a criança por não compreender acaba desenvolvendo meios próprios para lidar com o que lhe ocorreu. Estes mecanismos serão registrados em sua mente e sempre que houver necessidade estarão a mão para serem utilizados, mesmo quando esta criança for um adulto! Isso não quer dizer que é um adulto infantilizado, mas que faz uso de meios próprios que aprendeu para lidar com dificuldades, e que como foi dito, em geral não são eficazes.

Assim, quando não resolvemos um problema, fica mais fácil ficar culpando os pais, membros da família e outras pessoas, ou até mesmo o destino.

Freqüentemente, diante de dificuldades, assumimos um dos seguintes papéis: vítimas, vitimizadores (perpretadores), observadores, perseguidores, auxiliadores ou salvadores. Destes, o mais comum e mais cômodo é o de vítima.

Outro fator que influência muito em nosso compor-tamento é a CULPA! Sentimento este inconsciente e não consciente, onde limitamos nossas ações e pensamentos com medo de uma punição de qualquer espécie e a qualquer momento. Isso ocorre principalmente nos casos de uma criação severa, punitiva ou castradora. Assim escolhemos mil e uma desculpas para evitar agir ou pensar em determina coisa.

COMO FUNCIONA A PSICANÁLISE?

Através do que Freud denominou de livre associação, onde o paciente fala o que lhe convir na hora, procurando não esconder ou escolher o que vai falar, o psicanalista irá ouvir, analisar seus conteúdos e discernir o que faz parte de uma elaboração real de uma com fortes tendências infantis. Apartir disso, será mostrado ao paciente que determinado modo de agir ou pensar encontra-se fundamentado inconscientemente em mecanismos infantis elaborados para lidar com uma realidade que lhe é reconhecida como agressiva, baseando-se em modelos que lhe foram passados ou assim interpretados por ele quando criança (e que não condiz com sua realidade atual).

Para que tudo isso ocorra, o maior trabalho envolvido estará justamente com a identificação e eliminação dos mecanismos desenvolvidos pelo individuo, tarefa que não é fácil, a medida que eles formam as defesas desenvolvidas durante a vida desta pessoa.

Citando TenDam (1997) “Somo humanos quando não suprimimos nada, nem sequer nossas repressões. Quando aceitamos os fatos, ainda que não possamos ou não aceitamos alguns deles. Quando podemos lidar com a insegurança e a imperfeição. Quando podemos identificar com tudo e com todos, sem perder a nós mesmos. Quando somos responsáveis sem perder nossa liberdade, e quando somos livres sem perder nossa responsabilidade”.


Para maiores informações:

Contato: 8155-3883 / 8153-3331

Alessandro Marcondes Della Casa
Psicanalista Clínico
CPR – SPOB – Pa: 1501002

domingo, 16 de março de 2008

Curriculo Vitae

Nome: Alessandro M Della Casa Endereço: Rua Pariquis, 2999 / Salas 907-909 Cremação 66.040-320 Belém – Pará – Brasil Telefones: (0xx91) 8132-4928 / 3259-4314 / 8155-3883
Graduação
2006-2007 - Especialização em Dentística Restauradora. Pela Associação Brasileira de Odontologia – ABO- Seção Pará
2001-2003 - Curso de Graduação em nível de Bacharelado em Psicanálise Clínica pela Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do Brasil – SPOB - RJ
1997 - Especialização em Anatomia Cirúrgica da Face I pelo Centro de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo – U.S.P.
1996 - 1997 Especialização em Radiologia Odontológica. Pela Fundação para o Desenvolvimento Técnico e Científico da Odontologia Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo – F.O.U.S.P.
1989 – 1993 Graduação em Odontologia. Pela Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Pará – U.F.Pa
Atuação profissional1999 – 2003 - Universidade Federal do Pará – U.F.Pa. Vinculo Institucional: Servidor público. Enquadramento: PROFESSOR SUBSTITUTO. Carga horária: 20 horas Disciplinas: Patologia II, Ciências Patológicas II, Propedêutica IV 1998 – 2001 - Ensino de Odontologia na Associação Brasileira de Odontologia - A.B.O. – Seção Pará. Professor convidado para os cursos de Especialização e Atualização Profissional na Área de Concentração de Radiologia Odontológica e Hipnose Clínica.
2000 - Ensino de Odontologia na Associação Brasileira de Odontologia - A.B.O. – Seção Amapá. Professor convidado para cursos de Atualização Profissional na Área de Concentração de Radiologia Odontológica.
2007 – Atual Universidade Federal do Pará – U.F.Pa. Vinculo Institucional: Servidor público. Enquadramento: PROFESSOR SUBSTITUTO, Carga horária: 20 horas Disciplinas: Propedêutica III
1998 – Atual - Radiologista Clínico autônomo
2003 – Atual - Psicanalista autônomo

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Disposição Legal do Exercício da Psicanálise segundo o Ministério do Trabalho e Emprego do Governo Federal do Brasil

2515 (Norma regulamentadora: Lei nº 4.119, de agosto de 1962. Decreto nº 53.464, de 21 de janeiro de 1964 - Regulamenta a Lei nº 4.119, de agosto de 1962, que dispõe sobre a profissão de Psicólogo. É comum os Psicólogos e Psicanalistas exercerem mais de uma ocupação. Nesses casos classificá-los na função predominante.)

Títulos

2515 - 05 Psicólogo educacional - Psicólogo da educação, Psicólogo escolar
2515 - 10 Psicólogo clínico - Psicólogo acupunturista, Psicólogo da saúde, Psicoterapeuta, Terapeuta
2515 - 15 Psicólogo do esporte - Psicólogo desportivo
2515 - 20 Psicólogo hospitalar
2515 - 25 Psicólogo jurídico - Psicólogo criminal, Psicólogo forense
2515 - 30 Psicólogo social
2515 - 35 Psicólogo do trânsito
2515 - 40 Psicólogo do trabalho - Psicólogo organizacional
2515 - 45 Neuropsicólogo
2515 - 50 Psicanalista - Analista (psicanálise)

Psicólogos e psicanalistas

Descrição sumária

Estudam, pesquisam e avaliam o desenvolvimento emocional e os processos mentais e sociais de
indivíduos, grupos e instituições, com a finalidade de análise, tratamento, orientação e educação;
diagnosticam e avaliam distúrbios emocionais e mentais e de adaptação social, elucidando conflitos e questões e acompanhando o(s) paciente(s) durante o processo de tratamento ou cura; investigam os fatores inconscientes do comportamento individual e grupal, tornando-os conscientes; desenvolvem pesquisas experimentais, teóricas e clínicas e coordenam equipes e atividades de área e afins.

Formação e experiência

Para os trabalhadores dessa família é exigido o nível superior completo e experiência profissional que varia segundo a formação. Para os psicólogos, de um modo geral, pede-se de um a quatro anos, como é o caso do psicólogo clínico. Para o psicanalista é necessário, no mínimo, cinco anos de experiência. Os cursos de qualificação também variam de cursos básicos de duzentas a quatrocentas horas-aula, como no caso do psicólogo hospitalar, mais de quatrocentas horas-aula para os psicólogos jurídicos, psicanalistas e neuropsicólogos, até cursos de especialização para os psicólogos clínicos e sociais. A formação desses profissionais é um conjunto de atividades desenvolvidas por eles, mas os procedimentos são diferentes quanto a aspectos formais relacionados às instituições que os formam.

Condições gerais de exercício

Os profissionais dessa família ocupacional atuam, principalmente, em atividades ligadas a saúde, serviços sociais e pessoais e educação. Podem trabalhar como autônomos e/ou com carteira assinada, individualmente ou em equipes. É comum os psicólogos clínico, hospitalar, social e neuropsicólogos trabalharem com supervisão. Têm como local de trabalho ambientes fechados ou, no caso dos neuropsicólogos e psicólogos jurídicos, pode ser a céu aberto. Os psicólogos clínicos, sociais e os psicanalistas, eventualmente, trabalham em horários irregulares. Alguns deles trabalham sob pressão, em posições desconfortáveis durante longos períodos, confinados (psicólogos clínicos e sociais) e expostos a radiação (neuropsicólogo) e ruídos intensos. A ocupação psicanalista não é uma especialização, é uma formação, que segue princípios, processos e procedimentos definidos pelas instituições reconhecidas internacionalmente, podendo o psicanalista ter diferentes formações,como: psicólogo, psiquiatra, médico, filósofo etc.

A - AVALIAR COMPORTAMENTOS INDIVIDUAL, GRUPAL E INSTITUCIONAL:
  1. Triar casos
  2. Entrevistar pessoas
  3. Levantar dados pertinentes
  4. Ler processos e prontuários
  5. Observar pessoas e situações
  6. Escutar pessoas ativamente
  7. Investigar pessoas, situações e problemas
  8. Escolher o instrumento de avaliação
  9. Aplicar instrumentos de avaliação
  10. Mensurar resultados de instrumentos de
  11. avaliação
  12. Analisar resultados de instrumentos de
  13. avaliação
  14. Sistematizar informações
  15. Elaborar diagnósticos
  16. Elaborar pareceres, laudos e perícias
  17. Responder a quesitos técnicos judiciais
  18. Selecionar recursos humanos
  19. Devolver resultados (devolutiva)
  20. Recrutar recursos humanos para instituições
B - ANALISAR - TRATAR INDIVÍDUOS, GRUPOS E INSTITUIÇÕES
  1. Propiciar espaço para acolhimento de vivências emocionais (Setting)
  2. Oferecer suporte emocional
  3. Tornar consciente o inconsciente
  4. Propiciar criação de vínculo paciente-terapeuta
  5. Interpretar conflitos e questões
  6. Elucidar conflitos e questões
  7. Promover integração psíquica
  8. Promover desenvolvimento das relações interpessoais
  9. Promover desenvolvimento da percepção interna (Insight)
  10. Realizar trabalhos de estimulação psicomotora, psicológica e neuropsicológica
  11. Mediar grupos, família e instituições para solução de conflitos
  12. Reabilitar aspectos cognitivos
  13. Reabilitar aspectos psicomotores
  14. Reabilitar aspectos comportamentais
  15. Reabilitar aspectos corporais
  16. Facilitar grupos
  17. Dar alta
C - ORIENTAR INDIVÍDUOS, GRUPOS E INSTITUIÇÕES

  1. Propor alternativas de solução de problemas
  2. Esclarecer as repercussões psicológicas decorrentes dos procedimentos médicohospitalares
  3. Informar sobre desenvolvimento do psiquismo humano
  4. Dar orientação para mudança de comportamento
  5. Aconselhar pessoas, grupos e famílias
  6. Orientar sobre vocações (Orientação vocacional)
  7. Orientar grupos profissionais
  8. Orientar sobre plano de carreira
  9. Orientar grupos específicos (Pais, adolescentes etc)
  10. Orientar sobre programas de saúde pública
  11. Orientar as implementação de programas de prevenção na saúde pública
  12. Assessorar instituições
  13. Propor intervenções (Encaminhamento)
D - ACOMPANHAR INDIVÍDUOS, GRUPOS E INSTITUIÇÕES

  1. Acompanhar impactos de intervenções
  2. Acompanhar o desenvolvimento e a evolução de intervenções
  3. Acompanhar a evolução do caso
  4. Acompanhar o desenvolvimento de profissionais em formação e especialização
  5. Acompanhar resultados de projetos
  6. Visitar instituições e equipamentos sociais
  7. Visitar domicílios
  8. Acompanhar visitas multidisciplinares
  9. Participar de audiências
  10. Acompanhar plantões técnicos
  11. Acompanhar plantões de visita do tribunal de justiça
  12. Acompanhar egressos de tratamento

E - EDUCAR INDIVÍDUOS, GRUPOS E INSTITUIÇÕES

  1. Estudar casos em grupo
  2. Apresentar estudos de caso
  3. Ministrar aulas
  4. Supervisionar profissionais da área e áreas afins
  5. Supervisionar estágios da área e áreas afins
  6. Realizar trabalhos para desenvolvimento de competências e habilidades profissionais
  7. Formar psicanalistas
  8. Formar especialistas da área
  9. Treinar profissionais da área e afins
  10. Desenvolver cursos para grupos específicos
  11. Confeccionar manuais educativos
  12. Reeducar pessoas para inserção social e familiar
  13. Desenvolver processos de recrutamento e seleção
  14. Desenvolver cursos para profissionais de outras áreas
  15. Propiciar recursos para o desenvolvimento de aspectos cognitivos
  16. Desenvolver projetos educativos
  17. Acompanhar resultados de cursos, treinamentos

F - DESENVOLVER PESQUISAS EXPERIMENTAIS, TEÓRICAS E CLÍNICAS

  1. Investigar o psiquismo humano
  2. Investigar o comportamento individual, grupal e institucional
  3. Investigar comportamento animal
  4. Definir problema e objetivos
  5. Pesquisar bibliografia
  6. Definir metodologias de ação
  7. Estabelecer parâmetros de pesquisa
  8. Construir instrumentos de pesquisa
  9. Padronizar testes
  10. Coletar dados
  11. Organizar dados
  12. Compilar dados
  13. Fazer leitura de dados
  14. Integrar grupos de estudos de caso
G - COORDENAR EQUIPES E ATIVIDADES DE ÁREA E AFINS

  1. Planejar as atividades da equipe
  2. Programar atividades gerais
  3. Programar atividades da equipe
  4. Distribuir tarefas à equipe
  5. Trabalhar a dinâmica da equipe
  6. Monitorar atividades de equipes
  7. Preparar reuniões
  8. Coordenar reuniões
  9. Coordenar grupos de estudo
  10. Organizar eventos
  11. Identificar recursos da comunidade
  12. Avaliar propostas e projetos
  13. Avaliar a execução das ações
H - PARTICIPAR DE ATIVIDADES PARA CONSENSO E DIVULGAÇÃO PROFISSIONAL
  1. Participar de palestras, debates, entrevistas, seminários, simpósios
  2. Participar de reuniões científicas (Congressos, etc)
  3. Publicar artigos, ensaios, livros cientifícos
  4. Participar de comissões técnicas
  5. Participar de conselhos municipais, estaduais e federais
  6. Participar de entidades de classe
  7. Participar de eventos junto aos meios de comunicação
  8. Divulgar práticas do psicólogo e psicanalista
  9. Fornecer subsídios a estratégias e políticas organizacionais
  10. Fornecer subsídios à formulação de políticas públicas
  11. Fornecer subsídios à elaboração de legislação
  12. Buscar parcerias
I - REALIZAR TAREFAS ADMINISTRATIVAS
  1. Redigir pareceres
  2. Redigir relatórios
  3. Agendar atendimentos
  4. Convocar pessoas
  5. Receber pessoas
  6. Organizar prontuários
  7. Preencher formulários e cadastro
  8. Consultar cadastros
  9. Criar cadastros
  10. Redigir ofícios, memorandos, despachos
  11. Redigir projetos para captação de recursos
  12. Criar instrumentos de controle administrativo
  13. Compor reuniões administrativas e técnicas
  14. Fazer levantamentos estatísticos
  15. Comprar material técnico
  16. Prestar contas
Z - DEMONSTRAR COMPETÊNCIAS PESSOAIS
  1. Manter sigilo
  2. Cultivar a ética
  3. Demonstrar ciência sobre código de ética profissional
  4. Demonstrar ciência sobre legislação pertinente
  5. Trabalhar em equipe
  6. Manter imparcialidade e neutralidade
  7. Demonstrar bom senso
  8. Respeitar os limites de atuação
  9. Ser psico-analisado
  10. Ser psico-terapeutizado
  11. Demonstrar continência (Acolhedor)
  12. Demonstrar interesse pela pessoa/ser humano
  13. Ouvir ativamente (saber ouvir)
  14. Manter-se atualizado
  15. Contornar situações adversas
  16. Respeitar valores e crenças dos clientes
  17. Demonstrar capacidade de observação
  18. Demonstrar habilidade de questionar
  19. Amar a verdade
  20. Manter o setting analítico
  21. Demonstrar autonomia de pensamento
  22. Demonstrar espírito crítico
  23. Respeitar os limites do cliente
  24. Tomar decisões em situações de pressão
Recursos de Trabalho:

Caixa lúdica; Computador; Divã; Escolas; Inventários; Material gráfico; Material lúdico; Questionários; Softwares específicos; Testes

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

O que é Psicanálise e Fazer Análise ?


O que é Psicanálise e Fazer Análise ?

A psicanálise é uma ciência que ocupa-se dos distúrbios psíquicos originados no inconsciente. Tem como propósito descobrir as necessidades, complexos, traumas e tudo aquilo que perturba o equilíbrio emocional do ser humano e que se encontra recalcada (afastada e presa) no inconsciente. É uma psicoterapia que se desenvolve no plano dialético interpretativo, visando a reeducação afetiva da pessoa, por meio da
conscientização dos motivos que a levam a ter determinados comportamentos ou sintomas.
A análise consiste, essencialmente na evidenciação do significado inconsciente das palavras, ações e produções imaginárias (sonhos, fantasias, etc.) de um indivíduo.
A psicanálise pode ser utilizada também como uma psicoterapia de apoio nos casos de tratamentos de ordem psiquiátrica, não inviabilizando ou mesmo substituindo a necessidade do acompanhamento médico e medicamentoso.

Diferenças entre a Psicologia, a Psiquiatria e a Psicanálise - a quem procurar ?

Estas três áreas trabalham com as chamadas psicoterapias e o que as diferem é justamente a abordagem adotada por cada profissional.
Os psiquiatras possuem formação médica e é o que lhes habilitam a prescreverem medicamentos que auxiliam o tratamento psicoterápico.
Sua área de atuação é para o tratamento do que se conhece por distúrbios estruturais da mente, ou seja, quando há um desequilíbrio químio-fisiológico que predispõe o indivíduo a um transtorno mental, o qual precisa ser compensado quimicamente e onde só a psicoterapia não seria eficaz.
O psicólogo atua nos distúrbios ligados ao comportamento (familiar, social, profissional, etc.), distúrbios de aprendizagem, etc. Em geral eles atuam basicamente com problemas da esfera consciente e pré consciente, podendo ou não seguir a linha psicanalítica do inconsciente.
Os psicólogos e psicanalistas não se encontram autorizados legalmente para prescreverm medicamentos; quando a situação se faz necessária, o encaminhamento médico deve ser realizado e o tratamento psicoterápico passa a ser de suporte ao medicamentoso.


Quem é o Psicanalista e sua Formação?


Para se ter uma formação de psicanalista é preciso primeiro que o profissional já tenha uma formação de nível superior, independendo da área de graduação (humanas, exatas ou biológicas). Que ele ingresse em uma Escola ou Sociedade Psicanalítica, curse e obedeça as normas vigentes da respectiva Sociedade que faz parte.
Uma vez formado ele irá aplicar os postulados, técnicas e métodos da psicanálise no tratamento, prevenção e educação do ser humano como pessoa e integrante de uma sociedade.

Quem deve fazer análise ?

Teoricamente qualquer pessoa pode fazer análise, uma vez que reconhecer ser possuidor de uma neurose não significa em hipótese alguma dizer que é portador de um tipo de "loucura". As neuroses são simplesmente um conflito que se origina entre o que queremos e o que podemos ter ou ser, um conflito entre o que chamamos de nosso ego (parte consciente da mente) e nosso id (parte inconsciente da mente).

Hipnose e Psicoterapia - Uma alternativa Viável?


O tema da hipnose gera muita curiosidade e ao mesmo tempo receios. Desde que Freud abandonou o uso da hipnose e voltando-se apenas para a técnica da psicanálise, muitos da área da psicologia e psiquiatria adotam a justificativa de que o uso do transe em psicoterapia é uma forma de mascarar os sintomas e que não há benefício na técnica. Será?

Se avaliarmos a forma como os casos eram abordados e tratados no início do século passado, na época de Freud, realmente esta justificativa tinha fundamento, pois se usava a técnica que se conhece por ab reação, onde procurava-se um determinado fato de ordem traumática e se fazia o paciente “esquecer” ou mascarar o que fato ocorrido, para que o sintoma desaparecesse. Mas na verdade ele se mantinha latente e procurava outro meio para se manifestar, isso quando não voltava sob a forma do mesmo sintoma, uma vez que o problema não havia sido trabalhado.

Historicamente é sabido que a principal dificuldade encontrada por Freud na análise de seus pacientes é que na época acreditava-se que para tratar de um paciente havia necessidade de se coloca-lo no estado mais profundo de hipnose possível, conhecido por sonambúlico. No entanto apenas uma minoria é capaz de conseguir este estado. Hoje já se sabe que quanto mais leve o estado de transe melhor para se realizar uma psicoterapia (muitos pacientes chegam a ficar frustrados com a sessão, já que entram acreditando cair em um estado de sono e que não reagiriam a nada durante a sessão ou que saíssem sem lembrar de nada como ocorre com os sonhos). Outro dado histórico é que sabemos que Freud não era lá um grande dominador da técnica hipnótica, apesar de ter estudado com os maiores nomes da época. Tudo isso fez com que ele desanimasse com os resultados que obtia com seus pacientes. Mas longe disto ser um ponto negativo, pois se não ocorresse hoje não teríamos as descobertas pertinentes da psicanálise feitas por um homem que estava além de seu tempo. Um gênio na época incompreendido e muito criticado.

Desde então muito da técnica se modificou, principalmente com as técnicas desenvolvidas pelo Dr Milton Erickson. Mesclou-se as técnicas e conceitos da psicanálise convencional com as da hipnoterapia, criando-se o que se conhece por HIPNOANÁLISE.

O uso da hipnose como inibição de sintomas e tendo seu emprego logo nas primeiras sessões é muito utilizada apenas dentro da medicina e da odontologia, nos casos de dor, medo, ansiedade, relaxamento...

Hoje, o uso da hipnose não visa simplesmente eliminar os sintomas, mas buscar no inconsciente justificativas para o comportamento atual. Da mesma forma, um profissional sério não inicia qualquer tratamento pelo uso da hipnose, pois primeiro há de se conhecer todo histórico do paciente, seus problemas, justificativas, defesas e isso se faz exatamente pela técnica clássica da psicanálise. A hipnose entraria em cena nos casos em que haja uma barreira no processo de análise ou quando desejamos buscar maiores detalhes e vivências emocionais mais intensas, passíveis de serem suportadas apenas quando o paciente possui um apoio suficiente para isso através da terapia clássica.

Outro ponto que creio ser necessário esclarecer é quanto a seu uso. Muitos procuram terapia por hipnose, movidos principalmente pela sede de buscar nas terapias de regressão de idade, mais precisamente nas de vidas passadas, um meio de satisfazer suas curiosidades e de buscar soluções mágicas e místicas para seus problemas. Muitas das vezes uma terapia convencional sem uso da hipnose é mais do que suficiente e normalmente não se precisa buscar soluções em outras encarnações para problemas atuais. Agora, toda e qualquer forma de terapia, com e sem o uso da hipnose, é sempre demorada e seus efeitos não são iguais a de um analgésico que depois de uma hora observamos resultados. Encontramos resistências pessoais mesmo em estado de transe.

O terapeuta deve-se manter neutro, isento de religiosidades e crenças, pois isto obscurece seu senso crítico e de análise. Isso não significa que não apoiemos a busca pelas doutrinas religiosas como uma forma de apoio moral e psíquico. Devemos deixar a pessoa livre com suas crenças e buscar nelas o mesmo apoio que busca na terapia.

Assim, concluímos este artigo dizendo que o uso da hipnose é viável e que necessita de mais atenção por parte dos pesquisadores e profissionais brasileiros para seu uso e aplicabilidades

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A ODONTOLOGIA PSICOSSOMÁTICA E A DENTÍSTICA


Introdução

A compreensão do tema conhecido por odontologia psicossomática é fundamental para que o profissional, principalmente o especialista, tenha argumentos e meios para executar e reabilitar eficazmente seus pacientes e de conservar seus trabalhos por um período maior. Em dentística o tema psicologia, quando abordado, em geral versa sobre o que é a estética, como ela é percebido pelo profissional e pelo paciente e de como satisfazer as necessidades do mesmo. Dificilmente são enfocados outros aspectos tão ou mais importantes que a mera satisfação de uma necessidade estética.

Os trabalhos em dentística podem ser executados com o maior esmero, mas o resultado pode: 1) não ser aprovado pelo paciente, neste caso seria apenas uma forma de percepção ou teria algo mais inconsciente como, por exemplo, um ganho secundário ou mesmo a necessidade de obter algo inalcançável como a integridade de um dente fraturado ou perdido; 2) em curto prazo ter como resultado a perda do trabalho quer seja por falhas na conservação (higiene), pela presença de hábitos parafuncionais ou mesmo transtornos psíquicos severos como a bulimia.

O escopo deste trabalho não é descrever ou se aprofundar nos conceitos fundamentais da psicanálise. Assim, o presente trabalho descreverá alguns conceitos básicos da psicanálise, necessários para a compreensão do trabalho psíquico, e depois fazer a correlação de como estes temas podem ocorrer dentro da prática odontológica.

Revisão da Literatura

Em breve revisão de trabalhos mais recentes, encontramos na literatura odontológica, textos que tem o intuito de demonstrar a necessidade de uma atenção maior por parte das especialidades em odontologia na questão do fator psicossomático durante o tratamento odontológico. Como observado, normalmente os estudos psicológicos em geral versam sobre o bruxismo, DTMs e o atendimento infantil, havendo pouco sobre sua relação em dentística.

Gatchel et al (1996) avaliaram a importância dos aspectos psicológicos na etiologia da dor crônica das disfunções têmporo-mandibulares. As conclusões foram que os estados mórbidos psicológicos estão intimamente relacionados com as disfunções agudas e crônicas da articulação têmporo-mandibular e que há uma necessidade do trabalho conjunto entre dentistas e profissionais psicoterapeutas para a reabilitação de um paciente com DTM.

Mills (1996) avaliou os níveis de ansiedade na etiologia das doenças periodontais e como fator de controle da dor, bem como as diversas formas de terapias para controle da ansiedade e da dor. Além das formas químicas de controle, ele cita a necessidade de uma abordagem psicoterápica em alguns casos como essencial.
Robb e Smith (1996) realizaram um estudo sobre as situações de interesse do dentista nos pacientes bulímicos e anoréxicos. Dentre as situações de interesse podemos citar as lesões de cárie, desmineralização do esmalte por crises de vômito, erosões dentárias, doenças periodontais, alterações no pH da saliva, entre outros.
Ragnarsson (1998) avaliou os estados de ansiedade e medo em uma população adulta e como isto influenciava a freqüência de visitas ao dentista. Foi encontrado um alto nível de ansiedade e medo entre os indivíduos desta população e cita o emprego de técnicas psicológicas para o controle desta ansiedade, assim como o envio dos casos mais graves a terapia psicológica.
Ryömaa et al (1998) estudaram a relação entre os pacientes com bulimia e a erosão dentária e observaram que as perdas de estrutura dentária (erosão, abrasão e atrição) em pacientes com bulimia é alto.
Genco et al (1999) estudaram as relações entre o estresse, a angustia e comportamentos inadequados com a etiologia da doença periodontal, chegando a conclusão de que alterações emocionais e psicológicas são fatores de alto risco que predispõem um individuo à doença periodontal.
Mazzetto, Carniel e Figueiredo (2001) avaliaram as alterações psicossociais em pacientes com DTMs e chegaram a conclusão de que há uma enorme necessidade de um trabalho conjunto entre psicoterapeutas e os dentistas
Camparis et al (2001) estudaram os hábitos parafuncionais em pacientes com DTMs e observaram que o desconhecimento destes aspectos no sistema estomatognático, acaba levando a uma série de frustrações nos resultados clínicos, no que tange ao diagnóstico e controle no tratamento dos hábitos parafuncionais.
Cestari e Camparis (2002) avaliaram a importância do diagnóstico psicológico nos tratamentos das disfunções temporomandibulares. Os autores ressaltaram que não há dor que não tenha a influência de fatores psicológicos.
Serralta e Freitas (2002) avaliaram a relação dos estados afetivos negativos (ansiedade, depressão e raiva) com o bruxismo. Concluem o trabalho dizendo que os bruxomanos possuem fortes fixações orais e tendência a concentrar as tensões emocionais no próprio corpo, especificamente a boca e salientam a necessidade da abordagem multidisciplinar na avaliação e tratamento do bruxismo.
Durso et al (2003) citaram que um dos grandes fatores associados ao bruxismo durante o sono é relacionado ao estresse emocional. Segundo os autores, o bruxismo noturno tem múltiplos fatores associados, sendo um deles um elevado nível de ansiedade.
Loduca e Samuelian (2003) avaliaram o fator psicológico envolvido no mecanismo da dor e concluíram que é necessário haver uma maior compreensão profissional do contexto que envolve a queixa atual do paciente, devendo se levar em consideração crenças socioculturais do paciente e científicas da fisiologia da dor. Citaram ainda que um dos fatores que podem exacerbar a dor é uma possível desconfiança do paciente em relação ao diagnóstico e a capacidade técnica do profissional.
Hirata (2003) avaliou a necessidade de um maior aprofundamento nas pesquisas e no ensino dos aspectos psicológicos do ser humano dentro da odontologia, a fim de que o profissional esteja mais familiarizado com os aspectos psicofisiológicos do sistema estomatognático.
Rolim et al (2004) realizaram uma análise de comportamentos do odontólogo no contexto de atendimento infantil e a partir da descrição das sete sessões de atendimento, da categorização e freqüência relativa dos comportamentos do dentista e da análise de fragmentos de interação social, pode-se perceber que o tratamento odontológico envolve um controle bidirecional entre seus participantes.
Simamoto Júnior et al (2005) avaliaram a reabilitação estética e funcional em pacientes com diminuição da DVO relacionada com o bruxismo. A conclusão relatada foi de que a manutenção dos trabalhos efetuados depende diretamente da amenização das etiologias promotoras de parafunções.
Júnior et al (2005) fizeram um relato clínico de um restabelecimento da estética e função em um paciente portador de bulimia nervosa. Citaram na conclusão a importância do conhecimento por parte dos dentistas dos sinais e sintomas da bulimia nervosa para um diagnóstico precoce e posterior encaminhamento médico.
Oliveira, Oliveira e Cardoso (2005) estudaram o choque da mudança frente ao tratamento reabilitador estético e demonstraram a importância do conhecimento psicológico de reações como a contradição, aprovação, lamento, espanto, não reconhecimento, aceitação, reclamações e agressividade. Citaram o caso de uma paciente que precisou conversar com seu analista antes de iniciar o tratamento odontológico.
Rodrigues et al. (2005) estudaram o grau de importância, significado psicossocial e percepção estética de dentes clareados segundo dentistas e leigos e concluíram que os resultados dependem das influências positivas das relações psicossociais e da aparência de saúde do paciente. Ainda, que é importante conhecer as reais necessidades e expectativas dos pacientes.
Cunha et al. (2006) estudaram a influência do método de aconselhamento nos sintomas de disfunção temporo-mandibular e concluíram que este meio é importante para o controle dos sintomas em pacientes com DTMs.

Discussão

A Elaboração Psíquica e a Importância do Simbolismo

Para podermos entender como o psiquismo influenciará os procedimentos clínicos, se faz necessário entender como foi elaborada a teoria freudiana e entender como ocorre as elaborações em nível inconsciente. Nesta parte não haverá correlação com a odontologia.
A elaboração psíquica é permeada por representantes simbólicos e seus simbolismos, ou seja, de percepções concretas e abstratas, objetivas e subjetivas.

O que conhecemos por “realidade” é muito subjetivo, ou seja, existe uma realidade para cada indivíduo dentro de uma mesma realidade. Portanto, quando falamos em fantasia, não significa que tal elaboração seja uma mentira, mas que apenas é uma forma de realidade para determinada pessoa e que não é de uma coletividade ou do senso comum.

Em base a teoria psicanalítica, podemos dizer que um indivíduo normal pode ser conceituado como sendo aquele que satisfaz seus instintos, de acordo com as exigências da sociedade, na medida de suas necessidades. Portanto, em psicanálise “uma coisa é o que nós pensamos e outra é o que nós falamos e/ou somos !” Nosso discurso ou ações são sempre diferentes do que nos pensamos ou realmente somos. Funcionamos sempre ou pelo id ou pelo superego. Ninguém expõe seu ego. A diplomacia e a educação são qualidades de um superego bem trabalhado. Todavia, ninguém consegue ser diplomata ou educado o tempo todo, ou seja, ninguém consegue ser sempre 100% correto a toda hora. O inconsciente sempre acha um jeito de liberar vez ou outra sua energia e ai nós teremos os elementos de estudo da psicanálise: o chiste, o ato falho (ato em que o resultado explicitamente visado não é atingido, mas se vê substituído por outro. São ações que um indivíduo executa de forma normal e bem, e cujo fracasso ele tende a atribuir apenas a sua distração ou ao acaso), as neuroses, os sonhos, etc. Quanto mais nós nos contemos, mais erramos, pois é o consciente que assume a ação.

Mas como o psiquismo poderá interferir na saúde bucal e no bom andamento de um atendimento odontológico e em especial na área de atuaão da dentística? Geralmente quando o assunto psicologia entra em pauta no curso de dentística é quando se aborda questões sobre padrões de estética no mundo e fatores que fazem o paciente buscar tratamento estético, mas pouco se lê sobre outros pontos mais importantes da psiquê cuja influência no tratamento de dentística é fundamental. O presente trabalho visa chamar a atenção para transtornos como o bruxismo, a bulimia, o roer de unhas (onicofagia), sensibilidade pós operatória (não fisiológica), insatisfação do paciente quanto à estética, tabagismo, enfim, diversos transtornos que direta ou indiretamente acabarão comprometendo qualquer trabalho em dentística.

A melhor forma para entender como o psiquismo interfere no campo de atuação da dentística será descrevendo resumidamente as fases do desenvolvimento psicossexual do homem.. É apartir destes padrões de comportamento que devemos estender nossa atenção no atendimento de nossos pacientes, ou seja, de que forma estes padrões patológicos (vergonha, desorganização, baixa auto estima, incapacidade de iniciativa, obsessões, entre tantos outros) poderão de forma direta ou indiretamente dificultar, comprometer ou mesmo impossibilitar determinado tratamento odontológico.

Na entrevista inicial de um paciente, é imprescindível que o profissional conheça não somente o que levou o paciente ao seu consultório (queixa principal), mas através de uma conversa informal, não inquisitiva diretamente, conheça um pouco do dia a dia do paciente, de seu convívio familiar e profissional, da carga de estresse que ele se encontra diariamente. O profissional deve ter em mente que tais pontos deverão ser observados em todas as consultas deste paciente e não somente na entrevista inicial, pois o estado de homeostase psíquica de um indivíduo não é estático e sim dinâmico; hoje o paciente pode estar equilibrado emocionalmente, mas e daqui a 20 dias, 6 meses, um ano?

Conhecendo como o paciente lida com suas frustrações, conflitos e até mesmo ganhos e recompensas, podemos definir formas de tratamento, recomendações e acompanhamento dos trabalhos odontológicos realizados em determinado período. Exemplifiquemos para elucidar melhor o que se quer dizer com conhecer o paciente: Imaginemos um paciente que nos aparece com uma restauração classe IV em um incisivo superior e com facetas de desgaste cervical nos pré molares superiores. Suponhamos que ele não apresente quaisquer outros sinais de cárie, sendo descrito como técnicamente um paciente de baixíssimo risco de cárie. Caso nos preocupemos apenas em restaurar a estética e a função de seus dentes, sem pesquisar se ele é um paciente ansioso, tenso, estressado, se tem hábitos parafuncionais, se é um bruxomano, não teremos condições de avaliar quantativa e qualitativamente quais suas formas de descarga emocional de estresse e como esta descatexização (o desenvestimento, a retirada de energia de uma representação ) irá influenciar na manutenção dos trabalhos odontológicos realizados.

Vejamos como se são as fases do desenvolvimento psicossexual do ser humano e como elas podem se tornar focos de fixações e regressões neuróticas que possam comprometer nosso trabalho clínico. A Fixação é o fato de a libido se ligar fortemente a pessoas ou imagos (registros inconscientes de figuras importantes), de reproduzir determinado modo de satisfação e permanecer organizada segundo estrautura característica de uma das fases evolutivas. A fixação pode ser manifesta e real ou constituir uma virtualidade prevalecente que abre ao sujeito o caminho de uma regressão (processo psíquico que consiste no retorno a formas anteriores do desenvolvimento do pensamento, das relações objetais – com as pessoas - e da estruturação do comportamento)

Segundo os estudos realizados por Freud (1905, 1924), o ser humano passa por etapas de desenvolvimento psíquico, estas fases se caracterizam segundo a forma como mais se relaciona com o mundo, assim temos atualmente as fases oral, anal, uretral, fálica, latência e genital e todo fato mal elaborado ou elaborado de forma negativa em qualquer uma destas fases causará pontos de fixação e passíveis de serem recatexizados (reinvestidos de significado) futuramente diante de fatos ou momentos que em essência ou similaridade se pareçam com o fato ou momento causador do ponto de fixação. A catexia ou investimento segundo Laplanche e Pontalis (2000) é um conceito econômico freudiano, que significa o fato de uma energia psíquica se encontrar ligada a uma representação ou grupo de representações, a uma parte de um corpo, objeto, etc. A descatexia seria o desenvestimento, a retirada de energia de uma representação.

É um erro pensarmos que os problemas de ordem psicológica encontrados em odontologia são todos pertencentes à fase oral. Precisamos entender a idéia que constrói cada uma das fases, pois pontos de fixação em qualquer uma delas poderá trazer conseqüências ao bom andamento ou mesmo proservação dos trabalhos em odontologia.

Fase oral:
Primeira fase do desenvolvimento psicossexual, onde as percepções do meio externo e a obtenção de prazer por parte do infante se faz através da boca e região perioral. A fase oral encontra-se relacionada com a cavidade oral e região perioral e não deve ser encarada apenas como responsável pela mastigação e trituração e assimilação de nutrientes. A fase oral é assim denominada porque do momento em que nasce até por volta dos 18 meses de idade a cavidade oral é a principal forma que a criança tem para se comunicar e para experimentar a sua realidade externa. Assim é comum observarmos a criança levar tudo a boca como se fosse para morder ou experimentar o sabor, a textura. Através deste contato oral é que a criança percebe o mundo como agradável ou não. Nesta fase as principais significações encontradas são as de comer (oral sádica) e ser comido - ou de destruição - (fonte de ansiedade com significado de aniquilação). Segundo Laplanche e Pontalis (2000), estas significações durante esta fase não se resumem apenas a cavidade bucal e labial, mas podem ser estendidas a outras funções como a visão e respiração, por exemplo, sendo que a mais evidente ainda será a boca.
Segundo Freud, na fase oral a criança experimenta dois tipos de impulsos, denominados por ele de libidinais e de agressividade. Aqui a criança começará a experimentar as sensações de prazer e desprazer que lhe acompanharão por toda a sua vida. Como estímulos desprazerosos podemos citar: a fome, a sede, o frio, dores em geral, etc.; como estímulos prazerosos citamos a saciação da fome, da sede, de proteção (física e mental).

O que acabamos de citar são impulsos libidinais, mas quais os impulsos de agressividade uma criança pequena é capaz de demonstrar em tão tenra idade? A agressividade é evidenciada no ato de morder, sugar, mastigar, chorar, gritar, golfar, cuspir, enfim atos que envolvam basicamente a boca e suas funções.

Durante todo este período os estímulos internos e externos (táteis) dominam a vida da criança e ela procura satisfazê-los imediatamente, portanto, como podemos perceber, o modo de funcionamento psíquico é inteiramente primário (satisfação do id/ics). Seguindo esta linha de raciocínio, Freud demonstrou que qualquer impulso (libidinal ou agressivo) que seja gratificado ou penalizado em excesso, promoverá uma fixação psíquica do indivíduo nesta fase. Assim, nos comportamentos relacionados a fantasias do ato de morder, comer, destruir, chupar, observaremos como exemplo de traços patológicos o otimismo ou pessimismo em excesso (correspondendo respectivamente a gratificações ou penalizações excessivas), narcisismo, inveja, ciúme, dependência de terceiros (de suas relações objetais), podem se apresentar com alta ou baixa estima (dependendo do grau de gratificação ou penalização imposta a criança, respectivamente), podem se apresentar com uma personalidade interesseira, ou seja, são solícitas e dedicam-se de corpo e alma a qualquer tarefa quando requeridas, mas só se comportam assim visando uma retribuição futura, caso contrário ou não mexerão um músculo para o que lhe for solicitado ou se sentirão extremamente traídas caso não lhe retribuam tal dedicação. São pessoas que não conseguem desenvolver a capacidade de auto segurança, deste modo demonstram ou apenas uma insegurança em relação as demais pessoas ou chegando a desenvolver extrema desconfiança das mesmas.

Durante a fase de amamentação (dos 0 aos 18 meses) a criança experimenta toda sorte de gratificação e frustração, que vão desde a satisfação da fome no horário certo (gratificação) ao atraso da mãe para a amamentação devido aos seus afazeres diários (frustração). Com isso a criança passa a perceber que nem tudo ao seu redor é bom e passa a identificar objetos bons e maus, gratificantes e não gratificantes. Estas mesmas identificações acabam ficando registradas em nosso inconsciente e futuramente quando adultos nos encontramos em situações que nos tragam frustrações ou gratificações, estes sentimentos infantis acabam aflorando. Todos os hábitos parafuncionais e vícios orais possuem em sua raiz uma fixação na fase oral, onde o indivíduo busca descarregar (descatexizar) suas ansiedades ou suprir suas carências afetivas.

Segundo Kaplan (1997) os pais deveriam ser orientados para que durante esta fase seus filhos sejam assessorados dentro de um limite em que não haja excessos ou privações. Deste modo o indivíduo constituirá seu caráter dentro do que se considera como dentro da normalidade: desenvolver a capacidade de trabalhar e ajudar sem interesses secundários, sem inveja, medo dos resultados, segurança e auto estima normais, capacidade de viver sem dependências psíquicas, desenvolvimento de segurança e confiança nas pessoas de seu convívio.

Quanto a significação inconsciente da boca, podemos dizer que mesmo após este período a cavidade oral continua sendo nosso meio de maior expressão e captação de prazer. Através da boca falamos coisas gentis ou não, experimentamos boas comidas, falamos palavras de amor, beijamos, etc. Portanto, não devemos olhar para a cavidade bucal apenas como nosso meio de trabalho, mas como uma área de percepção sexual, e dependendo do simbolismo desta área, nossos procedimentos odontológicos podem ser inconscientemente interpretados como uma forma de invasão de privacidade, de intimidade, um verdadeiro abuso sexual.

Agora, como podemos relacionar estas características da fase oral com o a clínica odontológica? Aqui e nas demais fases será citado apenas alguns exemplos, pois o rol de exemplos poderá se tornar muito extenso diante das inúmeras possibilidade diante das características individuais.

Para termos uma idéia de como o inconsciente pode elaborar esta questão de forma sexual: é comum o relato de medo em tomar anestesia; isso pode ser encarado como uma forma de perder o controle sob si ou de seu corpo, representando assim simbolica e inconscientemente uma forma de castração (para os homens) ou de violação sexual (para as mulheres). Por serem elaborações de nível inconsciente nossos pacientes não podem ser criticados por adotarem em alguns casos uma postura infantil de medo ou receio diante de um procedimento ou simples consulta; é preciso entender e contornar da melhor forma possível lembrando sempre de que isso faz parte de uma imagem corporal psíquica e não de uma simples estrutura anatômica física.

Outros exemplos que podem estar relacionados com a fase oral e que direta e indiretamente interfirirão no trabalho odontológico são:

a) O tabagismo, o bruxismo, o alcoolismo como forma de descarga tensional de estresse e ansiedade:
Na entrevista inicial de um paciente, é imprescindível que o profissional conheça não somente o que levou o paciente ao seu consultório (queixa principal), mas através de uma conversa informal, não inquisitiva diretamente, conheça um pouco do dia a dia do paciente, de seu convívio familiar e profissional, da carga de estresse que ele se encontra diariamente. O profissional deve ter em mente que tais pontos deverão ser observados em todas as consultas deste paciente e não somente na entrevista inicial, pois o estado de homeostase psíquica de um indivíduo não é estático e sim dinâmico; hoje o paciente pode estar equilibrado emocionalmente, mas e daqui a 20 dias, 6 meses, um ano?
Conhecendo como o paciente lida com suas frustrações, conflitos e até mesmo ganhos e recompensas, podemos definir formas de tratamento, recomendações e acompanhamento dos trabalhos odontológicos realizados em determinado período. Exemplifiquemos para elucidar melhor o que se quer dizer com conhecer o paciente: Imaginemos um paciente que nos aparece com uma restauração classe IV em um incisivo superior e com facetas de desgaste cervical nos pré molares superiores. Suponhamos que ele não apresente quaisquer outros sinais de cárie, sendo descrito como tecnicamente um paciente de baixíssimo risco de cárie. Caso nos preocupemos apenas em restaurar a estética e a função de seus dentes, sem pesquisar se ele é um paciente ansioso, tenso, estressado, se tem hábitos parafuncionais, se é um bruxomano, não teremos condições de avaliar quantativa e qualitativamente quais suas formas de descarga emocional de estresse e como esta descatexização irá influenciar na manutenção dos trabalhos odontológicos realizados.

b) Insegurança a respeito do resultado final de uma reabilitação:
Aqui o temor pode se tornar tão grande que para não sofrer uma grande frustração, inconscientemente o paciente acaba faltando ou mesmo abandonando o tratamento odontológico. É um meio de fuga da realidade;
c) Dores psicogênicas (de etiologia psíquica):
Como exemplo prático posso citar o caso de uma paciente menor de idade que chegou em meu consultório para a realização de exame radiográfico panorâmico com a queixa de dores nos maxilares. Ela vinha acompanhada de tia e sua avó – pois ela morava em outra cidade e seus pais não a acompanharam por causa de seus empregos. Em sua cidade seu dentista não conseguia evidenciar uma causa para tal queixa. Ao exame clínico sua gengiva era normal, seus dentes sem sinais de cárie ou restaurações. Pensei em sensibilidade dentinária. Perguntei se sentia dores ao comer ou beber. Ela me relatou que ao contrário, tinha uma toalha de rosto que ela enrolava quando as dores iniciavam e aliviava mordendo tal toalha. Fiquei sem entender, pois diante de processos inflamatórios o indivíduo não consegue nem mesmo morder um fio de cabelo. Questionei então sobre a data de início das dores. Ela me disse que haviam começado por volta de fevereiro daquele ano. Questionei então se algo poderia ter ocorrido de diferente em sua vida (escola, casa, família, circulo de amigos) de agosto do ano anterior até a data referida. Ela me respondeu que não, que tudo estava na mais perfeita ordem e em paz. Questionei novamente: nada? sua vida continua o mesmo marasmo nos últimos 7 meses? Nesta hora sua tia falou: “será que aquilo que aconteceu em fevereiro não tem nada a haver?”, rapidamente a menina cortou dizendo “não, aquilo é bobagem, não tem nada a haver com dente”. Foi o que eu queria, o fio da meada que faltava. Perguntei o que era bobagem, o que foi que aconteceu em fevereiro? Eis que a tia responde que em fevereiro os pais da garota haviam se separado. Compreendi a peça que faltava. Falei que iria radiografar mas que provavelmente não encontraria nada (o que foi confirmado depois), que o problema era mais psicológico que físico. Minha opinião era de que ela não estava enfrentando bem esta separação e que ou ela se culpava pela separação (demonstrando o cumprimento da pena se mordendo, o que aliviaria sua ansiedade -culpa) ou ela estaria culpando um de seus pais e o significado da mordida seria que estava louca para atacá-lo a dentadas como punição. Quando terminei de falar vi que tinha acertado no ponto focal certo, a menina segurava um choro que dava pena.
d) Pessoas que para aliviar a ansiedade buscam em doces como pirulitos, balas, etc...:
Além dos procedimentos restauradores, outro ponto de preocupação é buscar dados sobre a dieta do paciente. Durante uma consulta questionamos o paciente sobre seu consumo de açúcar e o orientamos a ter um consumo adequado para evitar riscos de cárie; mas dificilmente questiona-se o que o leva a comer com freqüência e o que ele sente ao ingerir algo doce ou que acidifique sua boca.
É freqüente encontrarmos pessoas que procuram na comida um meio de liberar suas tensões, suas frustrações e até mesmo como meio de demonstrar e se recompensar por feitos positivos. Quando isso ocorre em geral limita-se a dizer que o paciente não está colaborando com o tratamento. No entanto, este comportamento decorre de uma compulsão inconsciente da qual ninguém é capaz de controlar sem ajuda profissional. Como pedir para tais indivíduos que limitem sua ingestão se mal podem controlar suas emoções?

Fase anal.
A fase anal ocorre aproximadamente dos 12 meses aos 03 anos de vida extra uterina. Fase em que a criança começa a aprender a ter maior controle sobre seus esfíncteres (anal e uretral). Durante esta fase ela aprenderá que haverá hora e local para poder defecar e urinar. Começará a abandonar as fraldas. Com este aprendizado a criança percebe que ela pode se tornar independente (um dia), bastando para tal apenas um treino. Deste aprendizado começa também o surgimento de um conflito interno entre a sua atual dependência e a possibilidade de independência. Este conflito é vislumbrado no ato de reter e liberar seus esfíncteres. Juntamente com este aprendizado, começa a perceber também que há hora para tudo, inclusive para a descarga de seus afetos, os quais não necessariamente poderão ser todos atendidos prontamente. Neste ponto começará a formação do superego do indivíduo.
Laplanche e Pontalis (2000) citando Abraham (1924) referem uma divisão efetuada por este autor em dois estágios da fase anal: na primeira etapa o erotismo anal estaria ligado à evacuação e a pulsão sádica à de destruição do objeto; na segunda etapa o erotismo anal estaria ligado à retenção e a pulsão sádica ao do controle possessivo.

Observamos durante todo este período uma certa agressividade mesclada com impulsos sádicos. Este sadismo é refletido nas fezes, sendo consideradas como representantes de sua força (competência, aptidão) e de sua capacidade de destruir objetos (os alimentos ingeridos). Podemos evidenciar isso observando as fantasias infantis quando estas se encontram no sanitário, onde elas fantasiam bombardeios, feixes de raios laser, explosões, ataques aéreos, etc. Desta mistura desperta também o desejo de obter o controle de seus pais.

Q
ualquer fato que venha causar uma fixação nesta fase, desenvolverá neste indivíduo traços de caráter relacionados com o “reter e liberar” desta fase, ou seja, de sua capacidade de se manter limpo ou sujo, de ter ou não o controle do seu corpo (esfíncteres). Assim podemos observar os seguintes traços de caráter: teimosia, regularidade, parcimônia, obstinação, frugalidade (sobriedade, sóbrio), voluntariedade, ambivalência de caráter, tendências masoquistas, conflitos relacionados a desordem, desafios, cólera e raiva, medo, vergonha.
P
ontalis e Laplanche (2000) citam que para que se entenda o que se diz por “valor simbólico” na teoria freudiana, Freud (1917) correlacionaria a atividade de defecação à valores simbólicos de dádiva e recusa, podendo estender o simbolismo disto ao dinheiro (fezes=dádiva=dinheiro). Assim, pode ser que um indivíduo que possua fixações neste período possa ter dificuldades, por exemplo, em lidar com questões que envolvam dinheiro ou assuntos financeiros.
Como podemos observar um caráter anal nos pacientes odontológicos? Vejamos os seguintes exemplos:

a) Quanto ao horário:
Pacientes que armam confusão na sala de espera porque passou da hora de ser atendido ou porque deseja que o profissional o passe na frente dos que já estão esperando porque seu caso é mais importante ou urgente. Temos aqueles pacientes que normalmente chegam com atraso e esperam ainda serem atendidos, atrasando toda a agenda do profissinal. Nestes dois casos o profissional deve entender que se trata de um comportamento neurótico e que deve se impor perante seu cliente, caso contrário o paciente se sentirá o dono da situação e tornará a dominar a situação sempre que lhe aprouver;
b) Quanto a honorários:
Podemos citar aqueles pacientes que sempre acham um absurdo o orçamento e fazem de tudo para puxar o preço para baixo. Temos aqueles que por questões neuróticas acabam dando o calote no profissional, mesmo tendo uma situação financeira estável;
c) Desordem:
Os pacientes que possuem uma tendência a desoragnização, desleixo com a aparência, em geral costumam prezar pouco pelo serviço realizado e acabam não dando as devidas atenções para a preservação do trabalho odontológico, redundando quase sempre em desadaptações e infiltrações.
d) Desafios:
Algumas pessoas tendem a assumir uma postura de desafio, questionando o profissional em relação a sua capacidade profissional, juizo clínico, escolhas de tratamentos e resultados obtidos. Sua postura em geral é agressiva quando algo não o satisfaz ou lhe agrada.
A fase uretral não é uma fase como as demais anteriores e posteriores a esta, mas considera-se como sendo apenas um estágio transicional entre as fases anal e fálica. Portanto como características encontraremos uma mistura de ambas as fases. Segundo Kaplan (1997), a única dúvida que ainda persiste é se a função uretral exerceria a mesma importância psíquica (importância do controle e no desempenho do ato) que a fase anal, ou seja, no fato reter ou soltar a urina, no primeiro caso, ou das fezes, no último caso.

N
esta fase a importância do pênis começa a ganhar peso, portanto nos meninos inicia-se o processo de competição e vergonha e nas meninas o sentimento de inferioridade sexual por “não ter um pinto igual ao dos meninos” (no caso de “quem é capaz de fazer o xixi mais longo ou mais distante”, ou “quem de nós tem o pinto maior”). Quando nos referimos ao pênis não estamos nos referindo apenas ao órgão anatômico, mas ao seu significado simbólico, cuja representação é da força, do poder, do orgulho.
Kaplan (1997) cita que qualquer fato que venha interferir no bom desenvolvimento desta fase, acarretará prejuízos no que diz respeito a autoconfiança dos meninos, no seu orgulho e desenvolverá um caráter baseado na vergonha, principalmente no que diz respeito a questões sexuais. Este último problema acima descrito também ocorrerá nas meninas. Com relação a autoconfiança e orgulho, estes deverão ser trabalhados nas meninas para que de algum modo possa ser compensado a “falta do pênis”.

A
qui os problemas encontrados estão relacionados quase sempre a auto confiança e auto estima. Todos os aspectos estéticos e de saúde que estejam intimamnete relacionados com a auto estima e confiança estarão prejudicadas.
Fase fálica.
Ocorre por volta dos três anos até início do 06 anos, aproximadamente. É nesta fase que encontraremos o estabelecimento do complexo de Édipo, pois até aqui a criança tentará por todos os seus meios “afastar” o genitor do mesmo sexo de seu genitor do sexo oposto, para poder tê-lo só para si.
Pontalis e Laplanche (2000) citam que nesta fase há uma unificação das pulsões parciais (termo que designa os elementos últimos a que chega a psicanálise na análise da sexualidade. Cada um destes elementos se especifica por uma fonte (por exemplo, pulsão oral, pulsão anal, ...) e por uma meta (por exemplo, pulsão de ver, pulsão de dominação). O termo “parcial” não significa só que as pulsões parciais são espécies que pertencem à classe da pulsão sexual na sua generalidade; deve ser sobretudo tomado num sentido genético e estrutural: as pulsões parciais funcionam primeiro independente-mente e tendem a unir-se nas diversas organizações libidinais. (in: Laplanche e Pontalis. Vocabulário da Psicanálise. 4a ed., São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2001) sob o primado dos órgãos genitais. Nesta fase o único órgão reconhecido pela fantasia infantil é o órgão masculino (o falo). É nesta fase que encontramos o que se conhece por complexo de Édipo, caracterizado pela fantasia da castração genital quer seja no sexo masculino, onde esta realidade é apenas uma ameaça, quer seja no sexo feminino, realidade esta que para a menina é um fato consumado. O fenômeno do complexo de Édipo, durante o desdobramento do desenvolvimento psicossexual do ser humano, é apenas uma das etapas do desenvolvimento que se efetua dentro de uma das fases do seu desenvolvimento psicobiológico.

Observa-se nas crianças desta faixa etária um crescente interesse pelos órgãos genitais, bem como o interesse pela manipulação dos mesmos (masturbação). A criança perceberá que é gostoso ficar manipulando a região genital e se questionará se com os outros ocorre a mesma sensação. Disto nascerá o interesse por olhar a região genital de seus coleguinhas, meninos e meninas, a fim de ver se todos possuem pênis e procurará tocar, mexer nestes para ver se também é gostoso. Destas “pesquisas” começará a se questionar e a questionar seus pais do por quê as meninas não tem pênis.

O
utro fato que terá seu despertar nesta fase será o desejo, inconsciente, de possuir sexualmente o genitor do sexo oposto e de se livrar do “outro” que só lhe “atrapalha”. Estabelece-se assim o complexo de Édipo. Este processo é inteiramente normal e natural, além de essencial e necessário para que se estabeleça, psiquicamente as diferenças sexuais do ser humano, para o desenvolvimento do caráter individual e para orientar as identificações posteriores para a escolha dos futuros parceiros (as) sexuais.
Basicamente os problemas decorrentes de uma falha no estabelecimento ou na resolução do complexo de Édipo, baseiam-se no sentimento de castração (representante psíquico da punição severa) para os meninos ou na inveja do pênis (representante psíquico “de que falta alguma coisa ainda por nascer” ou de que “devo procurar ser melhor do que fui, afim de não ser severamente castigada como já fui”). Além destes, outros problemas também estarão relacionados a esta fase, tais como: a falta de iniciativa (curiosidade), falhas nos padrões morais (construção do superego), distúrbios relativos a sexualidade (homossexualismo), dificuldades de relacionamento (estabelecimento e/ou manutenção), problemas relacionados ao prazer sexual (masturbatório ou não), etc.

Em odontologia podemos citar como exemplos:

a) O sentimento de castração:
Este sentimento pode originar o mais comum dos sentimentos encontrados no consultório dentário: o medo!
Como criticar uma pessoa por deixar seus dentes cariarem ou perder por doença periodontal quando o fator por detrás destas doenças é o medo de ir ao dentista? Antes de criticar certas posturas de nossos pacientes, devemos buscar significados para suas ações. Relembremos o que já foi dito: a boca é nossa primeira zona erógena, nosso primeiro modo de contato real com o meio, é através dela que registramos gratificações e penalizações nos nossos primeiros anos de vida, sendo uma eterna zona erógena e representativa de obter e dar prazer ou desprazer. Quando nós e nossos pacientes referimos o termo “medo”, não devemos restringir nossa atenção a figura do dentista ou ao ambiente odontológico, e sim estendê-la a todos que fizeram parte do desenvolvimento desta pessoa e que podem estar sendo resgatado na figura do dentista. Devemos interpretar não a figura “dentista”, mas a figura de “autoridade, força,” que irá invadir, mexer, interferir na boca, podendo causar injúrias, dor, desprazer. É um sentimento dito em psicanálise de “castração”, onde o indivíduo sente inconscientemente que irá perder a autonomia, parte de seu corpo, que estará sujeito à ação de outrem. Isto é mais forte do que qualquer sentimento de obter satisfação estética, motivo pelo qual muitos preferem se manter longe de um consultório em detrimento de sua saúde bucal.

I
sso aparentemente parece ser um raciocínio um pouco infantil, mas imaginemos uma pessoa que se sentiu abandonada na primeira infância pela mãe; o nível de ansiedade inconsciente que a situação odontológica irá resgatar é muito grande, pois uma vez sentado, sozinho, na cadeira, esta pessoa estará a mercê de um desconhecido que poderá causar dor e desconforto.
U
m outro sentimento resgatado pela ansiedade, além da dor, é a desconfiança. Inconscientemente a ansiedade faz surgir perguntas como “devo confiar no trabalho deste profissional?”, “vai ficar bom?”. Como conseqüência alguns pacientes ficarão tão detalhistas ou críticos que dificilmente se satisfarão com os resultados obtidos. Aqui alguns pacientes adotarão uma postura muito semelhante a descrita na fase anal em relação aos desafios.
b) Falha nos padrões morais:
Aqui os exemplos podem variar enormemente, como exemplo podemos citar as questões de falta de pagamento dos honorários intencionalmente, assédios sexuais à profissionais e equipe de trabalho, assinatura de cheques sem fundo, procura por tratamento com intenção de posteriormente dar entrada em um processo por erro profissional, entre tantos outros.
A fase de latência se inicia em torno dos 05/06 anos e vai até 10 a 13 anos (dependendo da cultura social em que a criança se desenvolve). Nesta fase os impulsos (desejos) sexuais desaparecem e a criança desenvolve o que Freud (1924) denominou de pansexualismo, ou seja, as atenções voltam-se basicamente para os indivíduos do mesmo sexo. Assim normalmente observamos meninos brincando somente com meninos, e o mesmo com as meninas. Ocorre um verdadeiro desinteresse pelo sexo oposto. Isto é bem evidente quando brincamos perguntando “quem é o namoradinho (a) de quem na escola”, a criança responde a esta pergunta ou como se nós a tivéssemos ofendido (brava) ou cheia de vergonha e pudores.

Nesta fase o superego estruturado na fase anterior, começará a ser desenvolvido, afim de que se estabeleça um padrão de caráter socialmente aceitável no futuro adulto e a consolidação da identidade sexual, preparando-o para a futura escolha do seu parceiro (a) sexual. Qualquer desvio na conduta sexual gerado em fases anteriores, também será reforçado neste período e consolidado para a fase adulta.

Observaremos evidentes processos de sublimação das catexias libidinais (sexuais) nas diversas brincadeiras de infância, de transferência das figuras parentais para representantes sociais (policiais, enfermeiras, médicos (as), dentistas, professores (as), etc.), um aumento da agressividade em suas atitudes, principalmente nos meninos – evidentes em suas brincadeiras –, na curiosidade por novas descobertas intelectuais e manuais.

Em relação a odontologia podemos citar a ocorrência de problemas como a compulsão por limpeza dos dentes, favorecendo o desgaste do esmalte e a sensibilidade dentinária; comportamentos arredios no consultórios decorrentes de uma educação superprotetora ou rígida, descarga de estresse familiar ou escolar ou pessoal através do bruxismo, adoção de tiques e hábitos parafuncionais (apoiar as mãos no queixo, morder o lápis ou caneta, abrir objetos com os dentes, etc..), buscar em esportes de risco (judo, karatê, patinação, skate entre outros, uma forma de descarga tensional (o que pode levar a casos de fratura dentária), etc.

A fase genital corresponde ao início da puberdade (em torno dos 11-13 anos) e vai até o início da fase adulta (em torno dos 23 anos). Nesta fase observar-se-á o desenvolvimento fisiológico das glândulas sexuais e o início do interesse e das atividades sexuais propriamente dita.

No início até meados dos 16 anos, o indivíduo passa por uma verdadeira revolução hormonal sexual, portanto é muito comum observarmos um aumento da agressividade masculina (decorrente do aumento do hormônio masculino), da libido, das atividades motoras e intelectuais, etc. Toda esta revolução acaba por despertar também impulsos anteriormente recalcados no id, favorecendo deste modo uma mudança no comportamento. Caso não seja nova e devidamente trabalhado estes impulsos, o recalque estará firmemente estabelecido e retornará como um padrão de comportamento (personalidade) da pessoa adulta.

Tal como ocorreu na fase anal, o indivíduo volta a sentir uma necessidade de provar independência de seus pais, de poder mostrar a todos que é dono de seus atos e de sua vida, procurará adotar um símbolo (ideal) que poderá ser representado por um personagem político (atual ou não), profissionais do meio artístico, escolar, etc.

Os problemas decorrentes de uma falha na resolução desta fase são complexos, pois com o despertar dos impulsos adormecidos do id, mais os decorrentes desta fase, o indivíduo poderá desenvolver qualquer distúrbio referente ao desenvolvimento psicossexual do ser humano, desde a sua fase mais precoce até a presente. Assim podemos observar distúrbios relacionados a atividade sexual, a escolha do parceiro (bi ou homossexualismo), amadurecimento de caráter, fixações psicossexuais, deficiências de caráter, dificuldade nos relacionamentos, etc.

Assim, tal qual na infância, recomenda-se atento acompanhamento do desenvolvimento dos adolescentes, sem, contudo, limitá-lo em suas atividades ou formas de expressão, nem lhe dando total liberdade para tal. Há de se encontrar um meio termo para um correto desenvolvimento, impondo-lhe limites sem ser ditador.

Como visto, cada fase é composta de certas características que podem ser reprimidas no inconsciente e reativadas posteriormente toda vez que a situação lhe for favorável.

A maior complicação é que cada um destes problemas relacionados com uma das fases do desenvolvimento psicossexual não necessariamente ocorrem somente em determinada fase e não nas demais, podemos ter problemas instituídos em todas as fases do desenvolvimento sexual, sendo que os problemas de uma fase sempre interferirão na resolução da fase seguinte. Queremos dizer com isso que os problemas se somam, agravam-se, mas nunca serão apagados.

Portanto, poderemos classificar determinado paciente como sendo do tipo anal, fálico ou qualquer um outro, mas nunca teremos um paciente anal puro, um fálico puro, ou seja, uma pessoa pode apresentar características anais, mas serão evidenciados durante o tratamento comportamentos orais, anais, fálicos, etc.

Como pudemos observar, é grande a variedade de situações que podem estar relacionadas a um comportamento neurótico e que cada uma destas podem levar a um tipo de dificuldade durante ou após a conclusão de um trabalho.

Algumas situações são facilmente contornadas pelo profissional dentista, mas outras encontram-se tão enraizadas no inconsciente que se faz necessário o encaminhamento a uma ajuda analítica. Desta premissa surge um outro problema: como encaminhar este paciente?

Infelizmente para muitos, profissionais e leigos, o fato de se indicar uma psicoterapia é sinônimo de loucura. É comum ouvir o dentista dizer “se fizer isso perco o paciente, prefiro deixar como está”.

A melhor forma de contornar esta situação é mostrar para o paciente de modo claro e não alarmista os pontos de sua vida emocional que se encontram interferindo em sua saúde bucal e na manutenção dos trabalhos realizados. Mostrar a ele a necessidade de identificar e conhecer os focos de desequilíbrio e encontrar meios para controlá-los. Uma vez feito isso sugere-se a busca por soluções na psicoterapia, em terapias alternativas como a acupuntura, técnicas de relaxamento, hipnose, reiki, yoga, entre outros. Neste momento o ideal é ter um arsenal de cartões de visita de colegas de outras áreas e oferecê-los ao paciente, caberá ao paciente escolher a forma de tratamento.

O importante na situação é mostrar conhecimento de todos os problemas e deixar a cargo do paciente buscar a melhor forma de se equilibrar. Procedendo assim, nos eximimos da responsabilidade pela não conservação dos procedimentos em dentística, passando esta responsabilidade para o paciente. Agora, apesar disto, o profissional deve ainda assim ter em mente que seu trabalho poderá ser criticado, diminuído, pois a mente neurótica apagará todas as informações dadas pelo dentista de como proceder para diminuir a ansiedade e lembrará apenas o que lhe aprouver.

Considerações Finais

Como pudemos observar, é fundamental que o dentista especialista, seja qual for a área (no caso a dentística), esteja apto a reconhecer e lidar com a psicossomática de seus pacientes, a reconhecer em problemas como a bulimia, medo do tratamento odontológico, o roer de unhas, alterações do pH salivar pelo estresse e ansiedade de qualquer natureza entre tantos outros problemas que exercem sobre os materiais restauradores condições químicas e físicas extremamente desfavoráveis que com o tempo tendem a promover a desadaptação do material e inevitável troca.

Agora, não basta apenas evidenciar qual ou tal hábito os pacientes possuem, é necessário conscientizá-lo de que se não houver a procura por terapia psíquica paralelamente ao tratamento odontológico, o resultado em um curto prazo de tempo será o retorno ao consultório odontológico para a realização de manutenção e procedimentos idênticos aos que estarão sendo realizados.


Monografia apresentada à Associação Brasileira de Odontologia, como requisito parcial para a obtenção do Título de Especialista em Dentística – Orientador: Prof. Dr. Mário Moreira Jr. (Novembro/2007)

Atendimento Psicanalítico On Line


Recomendações aos Pacientes Para a Análise On Line


Para as sessões os pacientes devem seguir estas recomendações:

1º) Prepare o ambiente onde irá realizar as consultas;
2º) Certifique-se que não será interrompido, distraido por telefones, familiares ou qualquer outra coisa que possa tirar sua concentração. O momento da sessão deve ser reservado só para ela e toda a atenção deve estar voltada para ela nos próximos 50 minutos.
3º) Sente-se confortavelmente
4º) Não responda ou abra conexão com outras pessoas durante sua sessão, previna-se colocando o aviso de "ocupado";
5º) Não fique mexendo na internet em outras janelas durante a sessão
6º) Não procure conversar elaborando frases bem feitas, converse normalmente e não ligue para erros de digitação, muitas vezes estes "erros" não são simples erros.
7º) Não fique procurando o que falar, fale o que tiver vontade, o que lhe vier a cabeça da forma como voce quiser.
8º) procure não faltar ou se atrasar, os 50 minutos estão reservados para voce e neste tempo nenhum outro paciente entrará, portanto mesmo faltando a sessão será cobrada e questionada quando não avisada com antecedencia a falta.
9º) Sonhos devem ser relatados, se preferir pode enviar por email caso ache que possa esquecer até o dia da consulta.
10º) Ao usar web cam, não estranhe se ao iniciar a sessão o analista desligar a dele. Este procedimento visa substituir a posição do analista atrás do divã, longe do olhar do paciente. Ao final da sessão o analista ligará a web cam para o contato final. O paciente estará livre para, caso deseje, desligar a sua web cam também, não é obrigatório seu uso pelo paciente.


Atendimento Psicanalítico On Line

A análise on line em nada difere da análise clássica de um consultório real. A diferença encontra-se apenas na praticidade do uso do computador e da internet, além do fato do paciente manter uma privacidade maior e evitar todos os transtornos de um deslocamento a um consultório real (problemas de transito, estacionamento, escadas, etc.). Para aqueles que ainda não possuem um conhecimento do que é psicanálise, recomendo dar uma olhada na página inicial para tirar suas dúvidas.
O atendimento psicanalítico on line se dá através de um contato inicial via e-mail, com o envio da aceitação do contrato analítico. Neste primeiro contato por e-mail, será enviado ao paciente as normas de uma sessão de terapia, explicando como será realizada as sessões, assim como será informado a agência e conta corrente do profissional onde deverá ser depositado o valor de R$ 50,00 referente a 1ª consulta. O comprovante de depósito da consulta inicial, deverá então ser remetido para o mesmo e-mail no prazo de até 24 horas antes da hora acordada para as sessões de análise on line.
Estes dados bancários servirão também para os depositos subsequentes nos valores acertados entre o analista e o paciente. O valor dependerá de cada paciente, a fim de que o valor cobrado não seja alto demais para inviabilizar o tratamento, nem mesmo baixo demais que comprometa o efetivo trabalho por parte do paciente.
Os equipamentos permitidos para a realização das consultas serão uma web cam, via teclado pelo messenger e o uso de microfones.
Não será permitido a correspondência ou qualquer outra forma de contato entre o paciente e o profissional fora dos dias de análise.
Para maiores detalhes do contrato, recomendamos a leitura do mesmo antes do contato inicial.

Qualquer dúvida, contate-nos pelos e-mails:

marcondescasa@hotmail.com

marcondes1971@yahoo.com.br